11 janeiro 2007

banho - Gilberto Gil









Faz muito tempo que eu não tomo chuva
Faz muito tempo que eu não sei o que é me deixar molhar
Bem molhadinha, molhadinha de chuva
Faz muito tempo que eu não sei o que é pegar um toró

De tá na chuva quando a chuva cair
De não correr pra me abrigar, me cobrir
De ser assim uma limpeza total
De tá na rua e ser um banho
Na rua
Um banho

De ser igual quando a gente vai dormir
Que a gente sente alguém acariciar
Depois que passa o furacão de prazer
Ficar molhada e ser um sonho
Molhada
Um sonho

Eu vou dormir (enxutinha)
E acordo molhadinha de chuva
Sonho molhado - Gilberto Gil
Amadíssimo Senhor
A vida é um sonho bom com o Senhor ao meu ladinho
e os sonhos com o Senhor... ai... são o paraíso!
beijos cintilantes de alegria e desejo
SUA maria


10 janeiro 2007

Leva-me ao infinito céu- Cleide Yamamoto






Leva-me ao infinito céu,
Numa viagem sem fim,
Toma tudo que há em mim,
O que é meu... Agora é teu!

Submissa ao teu amor,
No arder dessa paixão,
Teu, é o meu coração,
E meu corpo, sem pudor.

Tomado todo espaço
Desta, que é tua mulher,
Formaremos um só ser,
Na imensidão do Universo.

E na beleza desse amor,
Corações em comunhão,
Seremos a perfeita união,
De dois corpos, em furor.

poesia de Cleide Yamamoto

Amadíssimo Senhor

O Senhor é a vida em mim,

faz-me cantar e dançar de alegria,

mesmo nos dias mais sombrios...

Muito obrigada por me possuir !

beijos cheios de luz e música

SUA maria

09 janeiro 2007

espaço - Ana Hatherly




O que é o espaço senão o intervalo por onde o pensamento desliza
imaginando imagens?
O biombo ritual da invenção
oculta o espaço intermédio
o interstício onde a percepção se refracta
Pelas imagens entramos em diálogo com o indizível
Ana Hatherly
Amadíssimo Senhor
Um dia bem gostoso
sempre com os meu carinhos e o meu amor
que transpõem espaço e tempo
e estão sempre onde o Senhor está
simplesmente porque o Senhor também está sempre aqui:
dentro de mim...
beijos felizes
SUA maria

08 janeiro 2007

É quando estou de joelhos - David Mourão Ferreira


É quando estou de joelhos
que sou toda bicho da Terra
toda fulgente de pêlos
toda brotada de trevas
toda pesada nos beiços
de um barro que nunca seca
nem no cântico dos seios
nem no soluço das pernas
toda raízes nos dedos
nas unhas toda silvestre
nos olhos toda nascente
no ventre toda floresta
em tudo toda segredo
se de joelhos LHE entrego
sempre que estou de joelhos
todos os frutos da Terra.
poesia - David Mourão Ferreira(com troca de pessoa)
Amadíssimo Senhor
Sempre estou de joelhos para o Senhor
porque sempre estou LHE admirando e me entregando.
Essa entrega que é a cada dia, inacreditavelmente,
mais intensa e mais deliciosa...
sou SUA... SUA... SUA...
inteira e somente SUA...
e feliz!
beijos apaixonados e doces
SUA maria

desejei-te pinheiro à beira-mar - David Mourão Ferreira



Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrado num retrato
para poder-te comtemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno desta praia.

E desejei: "Que nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!
David Mourão-Ferreira
Amadíssimo Senhor
Quero sempre olhar na mesma direção que o Senhor!
quero para sempre LHE acompanhar,
cercando-LHE de carinhos.
beijos plenos de amor
SUA maria

Tentei fugir - David Mourão Ferreira




Tentei fugir da mancha escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
És a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.
David Mourão Ferreira
Amadíssimo Senhor
Só no Senhor tenho luz aonde quer que vá!
e aonde vou LHE vejo
e a estrada automaticamente fica florida,
o perfume me inebria e me assegura do caminho.
Amo-LHE intensamente.
beijos doces
SUA maria

ilha - David Mourão Ferreira




Deitado és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitado és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amigo amor amante amado eu morro
da vida que me dás todos os dias
poesia - David Mourão-Ferreira(trocado o gênero)
Amadíssimo Senhor
A vida é o Senhor que me dá todo o dia...
e que vida !
excitante, feliz e plena de amor !
obrigada, Senhor, por me possuir.
beijos apaixonados e felizes
SUA maria

07 janeiro 2007

Intervalo Amoroso - Affonso Romano de Sant'Anna





intervalo amoroso

O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?

Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?

Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?

Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?

O que fazer entre um poema e outro
olhando a cama, a folha fria?

- Affonso Romano de Sant'Anna -

Geometria dos corpos - Camila Sintra


A menor distância
entre dois pontos
está na conjunção
de nossos corpos
que se atraem na razão inversa
da razão e do verso.

Beija meus senos
percorre minha hipotenusa
para te perderes no triângulo
molhado sob minhas bermudas
e descobrir minhas incógnitas
me rasgando com teu cateto.

Encaixa teu cilindro
em meu cone que te precisa
e acha, usa e abusa,
descobre o meu ponto G...

Encontra a quadratura do círculo
na curva de meus quadris.

Geometria dos Corpos - poesia de Camila Sintra

Amadíssimo Senhor
vou repetir as palavras mágicas:
Preciso do Senhor !
sempre!!! sempre!!! sempre!!!
O Senhor é a minha sobrevivência, a minha vida, a minha festa!
beijos muito felizes
SUA maria

06 janeiro 2007

Lábios - Eugénio de Andrade




Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
Amadíssimo Senhor
sempre iluminada pela SUA luz,
não é só brilhozinho nos olhos que me trai...
não é só o sorriso que cintila mais...
mas também as palavras...
que passam a soar
como o rumor das gaivotas
alegres,
rodopiantes a passar...
beijos reluzentes de felicidade
SUA maria